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Na Guerra dos 66 Dias, em 2024, Fatima sobreviveu a um ataque israelita que a teve como alvo. De microfone na mão, deixou uma mensagem desafiante à ocupação:

Este é o míssil pelo qual os aviões de guerra israelitas nos atacaram. E possuiremos nós outra arma? Talvez esta arma lhes tenha sido dolorosa, e de facto assim é. Afirmamos, do alto dos escombros das casas e da destruição aqui em Hasbaya, que continuaremos a transmitir a verdade, a realidade e os crimes da ocupação israelita até ao nosso último fôlego.


Este 2 de Março, Fatima Ftouni noticiou em directo o assassinato de 7 membros da sua família na aldeia de Toul, em Nabatieh, sul do Líbano.

Estamos agora em frente a uma casa onde a ocupação israelita cometeu um massacre, assassinando uma família inteira nesta casa (...) Este é o estado do edifício que tinha 4 apartamentos residenciais. (...) Estamos a falar sobre 7 mártires da minha família, e outro mártir, neste local. O meu tio e 6 familiares seus foram mortos neste apartamento.


@guilhotinainfo
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O vídeo acima, que voltou hoje a circular, ilustra bem o desprezo do governo libanês para com a população do Sul do Líbano.

Durante o “cessar-fogo” que supostamente esteve em vigor durante 15 meses, violado todo o santo dia pela ocupação, Fatima Ftouni confrontou o primeiro-ministro, Nawaf Salam, sobre as condições enfrentadas pela sua família e pelas populações das aldeias fronteiriças. Salam, num tom jocoso e desdenhoso, disse a Fatima: «Vejo que estás bem de saúde e em boa forma. Temos um médico connosco aqui na sala [se precisares].»

Ontem, Fatima escreveu num tweet:

É claro que esta guerra não é fácil... Mas o que é certo é que, depois desta guerra, o primeiro-ministro já não vai poder menosprezar o sofrimento do povo, nem vir dizer-nos que "estamos bem de saúde". Porque, muito simplesmente, nessa altura estaremos seguramente bem, graças à resistência.


@guilhotinainfo via Vocal Politics
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Forwarded from Stefani Costa
Essa noite, dormir no Líbano foi quase impossível.

Nós, jornalistas, estamos profundamente abalados. Ontem, colegas foram assassinados enquanto faziam exatamente aquilo que define o nosso ofício: mostrar ao mundo a morte de civis, mulheres, crianças, médicos. Jornalismo não é crime. Crime é defender o assassinato de repórteres, é tornar-se cúmplice dos crimes de Israel, crimes numerosos, ainda que muitos prefiram desviar o olhar. No fim das contas, há quem lucre com a morte. No céu, jatos supersônicos israelenses rasgam o silêncio e rompem a barreira do som. O estrondo não é apenas ouvido, ele atravessa o corpo, paralisa, desorienta. É perturbador. E quando vêm as explosões, o impacto é ainda mais brutal. Eu mesmo desenvolvi um gatilho na guerra passada: basta o ruído de drones para o corpo reagir antes da razão. Agora imagine quem vive aqui há décadas. Pessoas que acordam e dormem sob essa mesma tensão, todos os dias. Que tentam defender suas terras, resistir à ocupação, enquanto assistem ao genocídio em Gaza e percebem, com angústia crescente, que essa realidade se aproxima, alimentada pela conivência de líderes mundiais. E, ainda assim, enquanto tudo isso acontece diante dos nossos olhos, há quem celebre à distância no conforto dos estúdios de TV. É revoltante ver comentaristas falando sobre a guerra com tom de entretenimento, como se fosse mais um espetáculo de Hollywood.

É indecente. É imoral.

https://t.iss.one/stefanicostajornalista
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Imagens do funeral dos jornalistas Fatima Ftouni, Mohammad Ftouni e Ali Shoeib, há pouco nos subúrbios de Beirut. Os seus corpos ficarão temporariamente neste cemitério, até que haja condições para serem transportados para as suas aldeias no sul do Líbano.

A multidão grita "Morte à América! Morte a israel!" e "Ao teu serviço, Hussein".

@guilhotinainfo
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Fatima Ftouni: «Temos total confiança na resistência»

«Ainda estamos aqui, no Sul do Líbano. Este campo de batalha conta a história das forças da ocupação que tentam avançar para o território libanês. Apesar de tudo o que se vê ao longo desta frente, apesar dos avanços israelitas em certos pontos, a resistência continua a enfrentar as tropas de ocupação em múltiplas frentes (...)

Os media do inimigo estão neste momento a admitir as suas perdas. Os ânimos estão elevados, e queremos que assim se mantenham porque acreditamos na resistência, nos nossos homens e nos nossos jovens. Eles estão a defender esta terra nas frentes de batalha. (...) Temos total confiança na resistência. Regressaremos de cabeça erguida, como a resistência sempre nos ensinou, como o Secretário-Geral do Hezbollah sempre nos prometeu a vitória, e nós prometemos-lhe a vitória uma vez mais

@guilhotinainfo
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Ali Shoeib era um dos mais importantes jornalistas libaneses, com décadas de carreira na linha da frente e uma reputação de ser extremamente preciso e factual, relatando a realidade sem exageros ou sensacionalismos.

Conhecido como o “general dos media de resistência”, Shoeib era frequentemente descrito como “um exército de um homem só”.

Esteve presente no terreno em todas as incursões israelitas e confrontações entre a resistência e as forças da ocupação. A sua documentação minuciosa da retirada israelita do sul do Líbano, em 2000, e a constante presença na linha da frente ao longo de mais de 30 anos, fez de Ali Shoeib o jornalista com um conhecimento mais completo do território ao longo da fronteira com a Palestina ocupada.

Em 2006, durante a Guerra de Julho, foi o único correspondente presente no sul do rio Litani, confrontando de forma destemida soldados israelitas apenas com a sua câmara. Ao longo de toda a sua carreira, foi alvo de repetidas ameaças de morte por parte dos sionistas.

@guilhotinainfo
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Uma das filmagens mais impressionantes de Ali Shoeib data de 19 de Setembro de 2022, quando gravou uma reportagem desde a linha da fronteira, a escassos metros dos soldados israelitas, na zona de Shebaa.

Este soldado israelita que aqui está não se atreve a aproximar-se mais de mim porque estamos sob a protecção do Hezbollah. Tenho a coragem de estar aqui porque há um escudo protector que me defende deste inimigo cobarde, que não se atreve a aproximar-se mais de mim. Estou em território libanês libertado, e ele está em território libanês ocupado, nas Quintas de Shebaa.

[Dirigindo-se a um soldado israelita:] Não se aproxime mais. Afaste-se. Afaste-se!

@guilhotinainfo
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O impressionante percurso de Ali Shoeib
Entrevista à @PressTV, 2024

Fiz a cobertura da agressão perpetrada contra todo o Líbano em Julho de 1993. Também fiz a cobertura da guerra (...) lançada pelo inimigo israelita em 1996, bem como da Guerra de Julho de 2006, que destruiu vastas áreas do território libanês. Estive acampado numa zona fronteiriça durante a Guerra dos 33 Dias e nunca a abandonei porque acreditava que, enquanto os combatentes da resistência empunhassem as suas armas, eu também deveria lutar ao seu lado com a minha câmara. Também fiz a cobertura de todas as batalhas travadas na Síria contra o Daesh e a Al-Nusra em Aleppo, Ghalamoun, Hama, Palmira e em todo o deserto sírio (...)

Fui também a voz do povo no Líbano, espelhando o seu sofrimento. Relatei a sua perseverança contra a agressão israelita, mostrando o sofrimento com que lutavam devido à situação económica e retratei a sua determinação em permanecer nas suas terras, apesar dos ataques israelitas contra as suas zonas.


@guilhotinainfo
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«A história de hoje é a do jornalista mártir»: palavras de Ali Shoeib por ocasião do martírio dos seus colegas, na Guerra dos 66 Dias (2024)

«A nossa arma é a câmara. A nossa arma é a imagem. A nossa arma é a mensagem. Esta é a arma que talvez tenha chegado para aterrorizar o inimigo "israelita" tanto quanto os rockets e os combatentes da resistência os aterrorizam. Portanto, isto é um crime contra a humanidade, porque todos aqui são civis. Todos aqui são jornalistas.

Estes jornalistas mártires foram martirizados hoje neste mesmo local. Estávamos a fazer a cobertura da notícia, a documentar o sofrimento das vítimas, e agora tornámo-nos a notícia, tornámo-nos vítimas. A imprensa é hoje vítima dos crimes israelitas. A notícia de hoje é o jornalista mártir e o jornalista ferido.»

@guilhotinainfo
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Ali Shoeib: «Temos um grande amor pelo povo iraniano»

A relação entre o povo libanês e a República Islâmica do Irão é forte porque sentimos que estamos no mesmo barco. Tal como pagámos um preço pela nossa presença perto da Palestina ocupada, o povo iraniano também pagou um preço por apoiar a causa palestiniana e está a fazer sacrifícios. (...)

Sentimos a protecção da República Islâmica e do seu povo, e o impacto da ajuda iraniana – em cada gota de água, em cada medicamento e até mesmo quando utilizamos as estradas (...). Se a República Islâmica não nos tivesse apoiado no confronto com a ocupação israelita, não teríamos alcançado todas estas conquistas. Graças ao apoio iraniano, o povo libanês tem conseguido resistir à crise económica e aos desafios resultantes do nosso compromisso com essa causa.

O povo iraniano pagou o preço por dizer "não" à América e por apoiar a causa palestiniana. (...) Os iranianos nunca nos abandonaram, e estamos prontos a fazer sacrifícios para retribuir o favor.


@guilhotinainfo
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Fatima Ftouni: «Esta força de ocupação só compreende a força»

«Não vou enviar mensagens à comunidade internacional, nem mesmo às organizações de direitos humanos que criminalizam os ataques contra civis, jornalistas e médicos. Direi simplesmente que, apesar de usarmos capacetes e coletes à prova de bala, estes não nos conseguiram proteger devido à indiferença internacional perante os crimes da ocupação israelita.

Dizemos que esta força de ocupação só compreende a linguagem da força, e é essa força que poderá dissuadir a ocupação. Não acredito que existam convenções internacionais capazes de fazer frente a uma ocupação que matou mais de cinquenta mil civis, incluindo crianças e mulheres, em Gaza, e mais de dois mil mártires no Líbano – três mil mártires no Líbano até ao momento.

Não consigo imaginar que algo, nem sequer as cartas internacionais, possa parar esta ocupação – excepto a força

@guilhotinainfo
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Grécia: zines confiscadas durante prisão de camarada do Gather4Gaza

No dia 20 de Março, um camarada do colectivo Gather 4 Gaza foi preso em Atenas. O Gather 4 Gaza é um colectivo que recolhe fundos para apoiar uma cozinha comunitária em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza — e é para eles que enviamos parte dos fundos recolhidos com a venda das nossas zines. O comunicado do G4G, Free Kino e Pen and Rifle sobre a detenção do Camarada E pode agora ser lido no nosso site.

Por detrás das linhas inimigas, a escalada da presente guerra contra-revolucionária na Ásia Ocidental reflectir-se-á numa repressão interna cada vez mais violenta e sistemática — particularmente contra formações anti-imperialistas que defendem a solidariedade internacionalista com a República Islâmica e o Eixo da Resistência. Neste cenário, serão intentadas acusações de «traição» contra formações progressistas na Grécia e realizar-se-ão detenções em massa.


🔗 https://guilhotina.info/2026/03/29/grecia-prisao-g4g/

@guilhotinainfo
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Qesser Zuhrah, de 21 anos, foi novamente presa esta manhã pelo regime britânico por uma publicação nas redes sociais em que apelava à acção directa.

A detenção, executada ao abrigo da legislação terrorista, ocorre apenas 5 dias após Qesser, T Hoxha, Kamran e Heba terem anunciado a sua intenção de processar as prisões por negligência médica durante a greve de fome dos prisioneiros da Palestine Action.

O segundo vídeo é dessa conferência de imprensa, e o terceiro é de um protesto na embaixada norte-americana em Londres, no dia 22 de Março.

E se a nossa luta não fosse permitida? E se a nossa causa não fosse válida para o nosso governo?

Abandonei a linguagem do nosso governo. Em vez disso, escolho falar-vos hoje na linguagem da resistência, com esperança e convicção na libertação, para vos dizer que a resistência é mais do que um direito nosso.

Resistir é nosso dever, é nossa obrigação.


A semana passada, a MetPolice voltou a deter manifestantes num protesto em apoio à Palestine Action.

@guilhotinainfo
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