CINE ATEU
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UM LUGAR PRA VER
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Ao honrar legados de sofrimento e exílio, a oposição ao estado de apartheid também deve abrir caminho para a promessa de um novo sonho. O movimento pela liberdade de Nelson Mandela não foi liderado apenas pela oposição à supremacia branca - foi guiado por um sonho de coexistência, igualdade e justiça para todos. Ao contrário das narrativas de contrariedade palestina, a liderança palestina tem consistentemente e generosamente aberto espaço para a presença judaica em sua terra. Agora cabe à nova geração de judeus reimaginar sua história de uma forma que honre todos os filhos de Deus igualmente – e nessa nova história está a verdadeira terra prometida.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera. https://www.aljazeera.com/opinions/2024/1/29/israelism-the-promised-land-needs-a-new-narrative
CINE ATEU APRESENTA: REINO ANIMAL Em THE ANIMAL KINGDOM, um novo thriller visionário que leva os espectadores a um mundo extraordinário onde mutações na genética humana fazem com que as pessoas se transformem em criaturas híbridas, François (Romano Duris) faz tudo o que pode para salvar sua esposa, que é afetada por essa condição misteriosa. Como algumas das criaturas desaparecem em uma floresta próxima, François embarca com Emile (Paul Kircher), seu filho de 16 anos, em uma missão para encontrá-la com a ajuda de um policial local (Adèle Exarchopoulos). https://cinemadailyus.com/interviews/the-animal-kingdom-interview-with-writer-director-thomas-cailley/
CINE ATEU APRESENTA : Soundtrack to a Coup d'Etat. Jazz e descolonização se entrelaçam nessa documentário que conta o episódio da Guerra Fria que levou os músicos Abbey Lincoln, Max Roach e dezenas de manifestantes a invadir o Conselho de Segurança da ONU em protesto contra o assassinato do primeiro-ministro do Congo Patrice Lumumba. https://www.magazine-hd.com/apps/wp/soundtrack-coup-detat-critica-analise-review-indielisboa-jazz-johan-grimonprez/
CINE APRESENTA: MÁ FÉ: A Guerra Profana do Nacionalismo Cristão Contra a Democracia Bad Faith: Christian Nationalism's Unholy War on Democracy é um documentário provocativo e informativo, mas também polarizador. Ele cumpre bem seu papel de educar e alertar sobre os perigos do nacionalismo cristão, mas sua abordagem tendenciosa e a falta de equilíbrio narrativo podem alienar parte do público. Para alguns, é um chamado à ação; para outros, uma peça de propaganda. Independentemente das críticas, o filme certamente gerou um debate importante sobre o futuro da democracia americana.
CINE ATEU APRESENTA: OS ARQUIVOS DE BIBI. Durante anos e anos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recebeu “presentes” que, somados, chegam a um valor obsceno. Eram mimos oferecidos por homens e mulheres poderosos, muitas vezes bilionários, que chegavam na forma de bebidas, charutos, viagens particulares e, claro, apoio financeiro para campanhas políticas. Em troca, Netanyahu, o indivíduo mais poderoso do país, estava sempre a um telefonema de distância, demonstrando prazer em auxiliar os parceiros como possível - fosse ao fazer uma ligação para o secretário de Estado dos Estados Unidos a fim de reverter o cancelamento do visto de um amigo, fosse ao assinar um documento que, na prática, garantiria que outro conseguissem um empréstimo de 200 milhões de dólares. Já em outros momentos, ele chegou a aprovar leis que beneficiavam especificamente uma pessoa (o bilionário Arnon Milchan), sem se preocupar quais os efeitos colaterais que isto traria para a economia do país.


Depois de tantos abusos, Netanyahu e sua esposa Sara foram finalmente investigados - e, para seu imenso crédito, as autoridades israelenses não hesitaram em intimar algumas das pessoas mais influentes de Israel, que tiveram que ir até uma salinha minúscula como qualquer outro cidadão e prestar depoimentos durante horas. O que talvez elas não esperassem é que os registros em vídeo destes interrogatórios se tornariam públicos e acabariam, por exemplo, em um documentário devastador como The Bibi Files, semifinalista da categoria no Oscar 2025.

Expondo os depoimentos de figuras como o próprio Milchan e de outros titãs de várias indústrias, o filme traz estes indivíduos admitindo casualmente como durante anos foram basicamente forçados a presentear o casal Netanyahu, que não era muito sutil ao requisitar tais agrados. Além disso, o filme traz entrevistas exclusivas com pessoas que durante um longo tempo fizeram parte do círculo mais íntimo dos Netanyahu, como um amigo de infância (e apoiador) de Benjamin, o coordenador de várias campanhas do primeiro-ministro (e um de seus principais conselheiros) e funcionários que gerenciavam o lar e a segurança do casal.

E mais: contendo também os interrogatórios de Benjamin e Sara, que respondem com arrogância e agressividade enquanto insistem que aquilo representa um “risco à segurança de Israel”, o documentário aponta como Netanyahu, conhecido por ter uma memória quase fotográfica, surpreendentemente parece vítima de amnésia ao conversar com os interrogadores, repetindo variações de “não me lembro” durante a maior parte de seus depoimentos.

Infelizmente, o que poderia ser apenas mais um caso de corrupção (embora de dimensões gigantescas) se torna uma tragédia humanitária graças ao pavor que Netanyahu sente diante da possibilidade de ir parar atrás das grades - e que o leva a adotar uma das táticas mais tradicionais de líderes encurralados: promover uma guerra a fim de ganhar o apoio da população.

Abandonado por vários elementos de seu próprio partido e também pela coalisão de centro-direita que durante a maior parte de seus governos foi fundamental para mantê-lo no poder, Netanyahu não hesitou em buscar apoio nas figuras de extrema-direita de Israel - aquelas que, como alguém aponta no filme, ele recusaria encontrar apenas alguns anos antes. Indivíduos que pregam abertamente o extermínio do povo palestino, a invasão completa e definitiva da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e que, como não poderia deixar de ser, acusam qualquer oponente de apoiadores do “comunismo” e do “terrorismo”. E que foram nomeados ministros pelo corrupto líder do país.
Comprovando também como foi o próprio Netanyahu que durante um longo tempo enviou recursos financeiros para o Hamas a fim de enfraquecer a Autoridade Nacional Palestina, fragilizando assim a influência desta última - e o resultado desta brilhante estratégia do primeiro-ministro foi, entre outras coisas, os ataques em Outubro de 2023. Que, claro, ofereceram ao sujeito a desculpa perfeita para escalar o conflito e tentar evitar as consequências legais de sua corrupção (algo que já o havia levado a anunciar uma reformulação completa do sistema judiciário israelense, levando milhões de pessoas às ruas em protesto).

The Bibi Files é, portanto, mais uma evidência incontestável sobre a ação perniciosa do capitalismo e as consequências do neoliberalismo sobre as democracias contemporâneas - seja ao ampliarem o abismo econômico na sociedade, levando a um desespero crescente que, ironicamente, é manipulado para aumentar a influência dos mesmos políticos que defendem este sistema, seja ao permitirem que as grandes corporações (e bilionários de modo geral) assumam um papel de controle cada vez maior sobre o Estado e as políticas públicas (vide Elon Musk nos EUA).

Neste sentido, o documentário representa uma experiência deprimente ao ilustrar como um único homem prestes a enfrentar as consequências por transformar o governo em um balcão de negócios (e em uma loja de presentes) é capaz de provocar as mortes de dezenas de milhares de pessoas apenas para desviar a atenção do público enquanto empodera indivíduos cuja natureza sociopática deveria mantê-los longe de qualquer posição de influência.

Não que Israel já não fosse um estado genocida antes de Netanyahu assumir o poder, posto que o povo palestino já era devastado muito antes deste se tornar primeiro-ministro - mas não há dúvida de que a personalidade e a falta de bússola moral deste monstro aumentaram consideravelmente a escala da tragédia.

The Bibi Files é, em suma, um filme obrigatório.

20 de Dezembro de 2024

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas. https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/8624/the-bibi-files
CINE ATEU APRESENTA: O AGENTE SECRETO.
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