CINE ATEU APRESENTA: GAZA . Cineasta revela experiência em Gaza: ‘agora é uma missão’
Thais Sousa
‘E esse filme foi só o início’, afirmou o cineasta de ‘Gaza’, documentário que abriu a Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa 2020. Garry Keane participou da última live do evento, organizada nesta sexta-feira (11), que contou com o jornalista Diogo Bercito e a professora Arlene Clemesha.
Divulgação
Thais Sousa [email protected]
São Paulo – À frente do documentário ‘Gaza’, que abriu a Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa 2020, o diretor Garry Keane revelou como a experiência na Palestina mudou sua vida. O longa lança um olhar rico sobre o cotidiano do povo que resistente e vive na Faixa de Gaza, território palestino que sofre com conflitos e bloqueios por parte de Israel. “Não tem como sair de lá e não se sentir humilde e agradecer o que você tem na vida. Isso me deu um foco que nunca vou perder na vida. Falo com as pessoas de Gaza, estou em contato com as associações beneficentes”, afirmou o irlandês durante bate-papo online do evento, nesta sexta-feira (11). A mostra ocorre em plataforma virtual própria até 13 de setembro e de 31 de agosto a 27 de setembro no site Sesc Digital.
O filme Gaza (foto acima) foi indicado ao Sundance Film Festival de 2019. A produção estreou em 2019, mas as gravações aconteceram anos antes, e desde então, o diretor explica que estabeleceu laços com os palestinos. “As pequenas coisas que fazemos fazem a diferença. Desde arrecadar dinheiro, levar comida, ou, com a covid, mandar máscaras, todos podem fazer algo. E agora nós temos uma missão que vai até a morte. Que é lutar. E esse filme foi só o início”, revelou ele.
Também participaram do bate-papo virtual a professora Arlene Clemesha, que leciona história árabe contemporânea na Universidade de São Paulo (USP), foi representante da sociedade civil brasileira nas Nações Unidas através da Rede Internacional pela Palestina (UN-ICNP). A mediação foi feita por Diogo Bercito, jornalista da Folha de São Paulo, especializado em assuntos ligados ao Mundo Árabe e autor do blog Orientalíssimo.
Reprodução/Youtube Icarabe
O jornalista Diogo Bercito (à esq.) mediou o debate que contou com a Clemesha e Garry Keane (abaixo, ao centro)
Para Clemesha, o filme ganha relevância por trazer uma imagem da região que vai além daquela de uma zona de conflito perene. “Essa caracterização como zona de conflito é algo construído de fora para dentro. Não é a realidade vivida pelas pessoas, como eles se veem ou como a História mostra a região. De fato, tem muito mais do que isso. Isso desumaniza as pessoas de lá, e isso faz parte de um processo de dominação. É processo complexo, coisa que o filme do Garry consegue desconstruir”, pontuou a professora.
Neste sentido, Bercito lembra a imagem do mar retratada no filme. “Essa ideia de que a Faixa é ligada ao mar, à pesca, mas também ao lazer. Essa ideia de que o mar é o único horizonte para muita gente de lá”, destacou o jornalista. O diretor irlandês lembra que o mar que banha a região faz parte da vida cotidiana dos moradores de Gaza. “Como a faixa fica na costa do Mar Mediterrâneo, trabalhamos muito com as pessoas dentro do mar, fora e à frente dele. Por isso, percebemos que isso era tão forte. Como observadores, filmamos em 2015 muitas imagens da praia porque todo mundo parecia que estava ali. Eles rezam, dançam, fazem festa. É um lugar muito feliz”, disse.
“Mas a parte triste é que em 218, por conta da falta de energia e de água, além dos [problemas com] encanamentos de esgoto, as pessoas precisaram parar de nadar no mar. Foi uma tragédia. E a situação está piorando pouco a pouco. É um local com dois milhões de pessoas. Eles não podem sustentar esse bloqueio [de Israel] por mais tempo. Quando eles [palestinos] estão no mar, eles veem o horizonte, podem sentir a sensação de liberdade, mas sabem que tem uma guerra e estão presos ali”, alertou Garry Keane.
Thais Sousa
‘E esse filme foi só o início’, afirmou o cineasta de ‘Gaza’, documentário que abriu a Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa 2020. Garry Keane participou da última live do evento, organizada nesta sexta-feira (11), que contou com o jornalista Diogo Bercito e a professora Arlene Clemesha.
Divulgação
Thais Sousa [email protected]
São Paulo – À frente do documentário ‘Gaza’, que abriu a Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa 2020, o diretor Garry Keane revelou como a experiência na Palestina mudou sua vida. O longa lança um olhar rico sobre o cotidiano do povo que resistente e vive na Faixa de Gaza, território palestino que sofre com conflitos e bloqueios por parte de Israel. “Não tem como sair de lá e não se sentir humilde e agradecer o que você tem na vida. Isso me deu um foco que nunca vou perder na vida. Falo com as pessoas de Gaza, estou em contato com as associações beneficentes”, afirmou o irlandês durante bate-papo online do evento, nesta sexta-feira (11). A mostra ocorre em plataforma virtual própria até 13 de setembro e de 31 de agosto a 27 de setembro no site Sesc Digital.
O filme Gaza (foto acima) foi indicado ao Sundance Film Festival de 2019. A produção estreou em 2019, mas as gravações aconteceram anos antes, e desde então, o diretor explica que estabeleceu laços com os palestinos. “As pequenas coisas que fazemos fazem a diferença. Desde arrecadar dinheiro, levar comida, ou, com a covid, mandar máscaras, todos podem fazer algo. E agora nós temos uma missão que vai até a morte. Que é lutar. E esse filme foi só o início”, revelou ele.
Também participaram do bate-papo virtual a professora Arlene Clemesha, que leciona história árabe contemporânea na Universidade de São Paulo (USP), foi representante da sociedade civil brasileira nas Nações Unidas através da Rede Internacional pela Palestina (UN-ICNP). A mediação foi feita por Diogo Bercito, jornalista da Folha de São Paulo, especializado em assuntos ligados ao Mundo Árabe e autor do blog Orientalíssimo.
Reprodução/Youtube Icarabe
O jornalista Diogo Bercito (à esq.) mediou o debate que contou com a Clemesha e Garry Keane (abaixo, ao centro)
Para Clemesha, o filme ganha relevância por trazer uma imagem da região que vai além daquela de uma zona de conflito perene. “Essa caracterização como zona de conflito é algo construído de fora para dentro. Não é a realidade vivida pelas pessoas, como eles se veem ou como a História mostra a região. De fato, tem muito mais do que isso. Isso desumaniza as pessoas de lá, e isso faz parte de um processo de dominação. É processo complexo, coisa que o filme do Garry consegue desconstruir”, pontuou a professora.
Neste sentido, Bercito lembra a imagem do mar retratada no filme. “Essa ideia de que a Faixa é ligada ao mar, à pesca, mas também ao lazer. Essa ideia de que o mar é o único horizonte para muita gente de lá”, destacou o jornalista. O diretor irlandês lembra que o mar que banha a região faz parte da vida cotidiana dos moradores de Gaza. “Como a faixa fica na costa do Mar Mediterrâneo, trabalhamos muito com as pessoas dentro do mar, fora e à frente dele. Por isso, percebemos que isso era tão forte. Como observadores, filmamos em 2015 muitas imagens da praia porque todo mundo parecia que estava ali. Eles rezam, dançam, fazem festa. É um lugar muito feliz”, disse.
“Mas a parte triste é que em 218, por conta da falta de energia e de água, além dos [problemas com] encanamentos de esgoto, as pessoas precisaram parar de nadar no mar. Foi uma tragédia. E a situação está piorando pouco a pouco. É um local com dois milhões de pessoas. Eles não podem sustentar esse bloqueio [de Israel] por mais tempo. Quando eles [palestinos] estão no mar, eles veem o horizonte, podem sentir a sensação de liberdade, mas sabem que tem uma guerra e estão presos ali”, alertou Garry Keane.
A Mostra em Casa é uma realização do Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) com correalização do Sesc-SP e patrocínio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, com apoio do Instituto do Sono e da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). https://anba.com.br/cineasta-revela-experiencia-em-gaza-agora-e-uma-missao/
Agência de Notícias Brasil-Árabe
Cineasta revela experiência em Gaza: 'agora é uma missão' - Agência de Notícias Brasil-Árabe
São Paulo – À frente do documentário ‘Gaza’, que abriu a Mostra Mundo Árabe de Cinema em Casa 2020, o diretor Garry Keane revelou como a experiência na Palestina mudou sua vida. O longa lança um olhar rico sobre o cotidiano do povo que resistente e vive na…
CINE ATEU APRESENTA: MARCADOS : A HISTÓRIA DO RACISMO NOS EUA. Netflix lança um documentário que você precisa ver
Guilherme Coral
A Netflix conta com um excelente acervo de documentários. Nesta semana, foi lançada outra obra excepcional: Marcados: A História do Racismo nos EUA.
Fiel ao seu título, o filme procura explicar a origem da hostilidade contra os negros.
De acordo com a ativista Angela Davis, uma das entrevistadas que dão credibilidade ao filme: “Não se trata da cor da pele ou do tipo de cabelo. Trata-se de escravidão”.
O filme também aborda a cisão racial que deu origem ao conceito de branquitude, em que os brancos eram considerados inerentemente superiores e, portanto, merecedores de privilégios baseados exatamente nisso.
A partir daí, Williams apresenta evidências históricas dessas ideias. Como cineasta, ele sabe que confiar em acadêmicos lógicos que apresentam ideias sóbrias pode não manter o público envolvido.
Marcados: A História do Racismo nos EUA está na Netflix
Marcados: A História do Racismo nos EUA está na Netflix
Animação também é usada no documentário
Não importa quão persuasivos sejam os argumentos ou quão conhecidos e confiáveis sejam os acadêmicos. Por isso, ele acrescenta uma animação distinta e lindamente renderizada para revigorar a narrativa. Imagens de arquivo e momentos virais recentes também são incluídos para fornecer um contexto familiar aos conceitos apresentados.
Ao longo de todo o processo, Williams acrescenta imagens reconhecíveis da cultura pop. Ele usa imagens de filmes e séries de TV queridas, combinando esses exemplos com depoimentos em off que forçam os fãs a reconhecerem sua admiração – um exame necessário do que essas imagens realmente representavam, convidando a novas conclusões quando examinadas novamente dentro desse contexto.
https://observatoriodocinema.uol.com.br/indicacoes/netflix-lanca-um-documentario-que-voce-precisa-ver/
Guilherme Coral
A Netflix conta com um excelente acervo de documentários. Nesta semana, foi lançada outra obra excepcional: Marcados: A História do Racismo nos EUA.
Fiel ao seu título, o filme procura explicar a origem da hostilidade contra os negros.
De acordo com a ativista Angela Davis, uma das entrevistadas que dão credibilidade ao filme: “Não se trata da cor da pele ou do tipo de cabelo. Trata-se de escravidão”.
O filme também aborda a cisão racial que deu origem ao conceito de branquitude, em que os brancos eram considerados inerentemente superiores e, portanto, merecedores de privilégios baseados exatamente nisso.
A partir daí, Williams apresenta evidências históricas dessas ideias. Como cineasta, ele sabe que confiar em acadêmicos lógicos que apresentam ideias sóbrias pode não manter o público envolvido.
Marcados: A História do Racismo nos EUA está na Netflix
Marcados: A História do Racismo nos EUA está na Netflix
Animação também é usada no documentário
Não importa quão persuasivos sejam os argumentos ou quão conhecidos e confiáveis sejam os acadêmicos. Por isso, ele acrescenta uma animação distinta e lindamente renderizada para revigorar a narrativa. Imagens de arquivo e momentos virais recentes também são incluídos para fornecer um contexto familiar aos conceitos apresentados.
Ao longo de todo o processo, Williams acrescenta imagens reconhecíveis da cultura pop. Ele usa imagens de filmes e séries de TV queridas, combinando esses exemplos com depoimentos em off que forçam os fãs a reconhecerem sua admiração – um exame necessário do que essas imagens realmente representavam, convidando a novas conclusões quando examinadas novamente dentro desse contexto.
https://observatoriodocinema.uol.com.br/indicacoes/netflix-lanca-um-documentario-que-voce-precisa-ver/
Google Docs
Marcados: A História do Racismo nos EUA .mp4
Netflix lança um documentário que você precisa ver
Guilherme Coral
A Netflix conta com um excelente acervo de documentários. Nesta semana, foi lançada outra obra excepcional: Marcados: A História do Racismo nos EUA.
Fiel ao seu título, o filme procura explicar…
Guilherme Coral
A Netflix conta com um excelente acervo de documentários. Nesta semana, foi lançada outra obra excepcional: Marcados: A História do Racismo nos EUA.
Fiel ao seu título, o filme procura explicar…
CINE ATEU: TANTURA Tantura (2022) - Crítica
Em 1948, após a controversa aprovação do Plano de Partilha das Nações Unidas para a Palestina em 1947, eclodiu uma guerra entre facções árabes e judaicas, ambas reivindicando o direito à mesma terra.
Claro, as aldeias árabes já existiam antes que o povo judeu soubesse que aquela era sua terra. Somos informados de que enquanto os israelenses consideram este período de luta como a Guerra da Independência, os palestinos o chamam de “Nakba” (a Catástrofe). Como Schwarz coloca sem rodeios em texto branco sobre preto: “Centenas de cidades e aldeias palestinas foram destruídas em 1948. Pelo menos 750.000 palestinos se tornaram refugiados”.
"Tantura" é um trabalho conjunto com muitas vozes. Mas o fio narrativo principal é a pesquisa de um estudante de pós-graduação da Universidade de Haifa chamado Teddy Katz sobre o efeito da guerra de 1948 em cinco aldeias, incluindo Tantura. Katz conduziu 140 horas de entrevistas em áudio com 135 pessoas, tanto palestinos quanto israelenses, testemunhas (e participantes) dos eventos em Tantura. Em seguida, ele publicou uma tese em 1998 concluindo que houve um massacre de 200-250 palestinos de Tantura, a maioria homens, pela Brigada Alexandroni das FDI , e que as vítimas foram enterradas em valas comuns. Ele recebeu a nota mais alta possível em uma tese e se formou com honras.
Quando o Times of Israel publicou um artigo sobre Tantura que se baseava fortemente no trabalho de Katz, despertou tanta ira que Katz se tornou alvo de um processo por difamação por um grupo de seus súditos (mesmo que eles falassem com ele voluntariamente e tudo estivesse em fita). ). A fim de resolver o caso fora do tribunal e poupar a indignação pública da Universidade, Katz foi obrigado a assinar uma retratação dizendo que o massacre não aconteceu, e o juiz encerrou o caso. Dias depois, Katz tentou retirar a retratação, dizendo que a havia assinado “em um momento de fraqueza e que já se arrependia profundamente”, mas o juiz manteve o caso encerrado e a universidade cassou seu diploma..
Todos os veteranos sobreviventes do documentário negam mais ou menos que um massacre tenha ocorrido e, como a maioria deles está na casa dos 90 anos, é possível que alguns já tenham realmente esquecido. “A cada um a sua realidade, a cada um as suas interpretações”, é como um soldado coloca astutamente, e este é um filme sobre como os fatos, a subjetividade e a memória tendem a se confundir, especialmente quando você está lidando com um conflito tão controverso. incidente histórico.
Uma dessas aldeias era Tantura, e o que aconteceu depois da luta é o cerne da narrativa. Vários ex-soldados de Alexandroni são entrevistados (incluindo aqueles que estavam lá em Tantura), assim como os últimos moradores vivos da aldeia. Um interlocutor central é o historiador Teddy Katz, que escreveu uma tese em 1998 enquanto lecionava na Universidade de Haifa, na qual argumentava que a Brigada Alexandroni assassinou centenas de aldeões palestinos depois que eles se renderam. Katz foi imediatamente processado por difamação pelos veteranos de Alexandroni e finalmente retirou seu trabalho. Pouco depois, ele tentou retirar sua concessão, mas a juíza Drora Pilpel indeferiu a moção. https://www.intrometendo.com.br/2022/12/tantura-2022-critica.html
Em 1948, após a controversa aprovação do Plano de Partilha das Nações Unidas para a Palestina em 1947, eclodiu uma guerra entre facções árabes e judaicas, ambas reivindicando o direito à mesma terra.
Claro, as aldeias árabes já existiam antes que o povo judeu soubesse que aquela era sua terra. Somos informados de que enquanto os israelenses consideram este período de luta como a Guerra da Independência, os palestinos o chamam de “Nakba” (a Catástrofe). Como Schwarz coloca sem rodeios em texto branco sobre preto: “Centenas de cidades e aldeias palestinas foram destruídas em 1948. Pelo menos 750.000 palestinos se tornaram refugiados”.
"Tantura" é um trabalho conjunto com muitas vozes. Mas o fio narrativo principal é a pesquisa de um estudante de pós-graduação da Universidade de Haifa chamado Teddy Katz sobre o efeito da guerra de 1948 em cinco aldeias, incluindo Tantura. Katz conduziu 140 horas de entrevistas em áudio com 135 pessoas, tanto palestinos quanto israelenses, testemunhas (e participantes) dos eventos em Tantura. Em seguida, ele publicou uma tese em 1998 concluindo que houve um massacre de 200-250 palestinos de Tantura, a maioria homens, pela Brigada Alexandroni das FDI , e que as vítimas foram enterradas em valas comuns. Ele recebeu a nota mais alta possível em uma tese e se formou com honras.
Quando o Times of Israel publicou um artigo sobre Tantura que se baseava fortemente no trabalho de Katz, despertou tanta ira que Katz se tornou alvo de um processo por difamação por um grupo de seus súditos (mesmo que eles falassem com ele voluntariamente e tudo estivesse em fita). ). A fim de resolver o caso fora do tribunal e poupar a indignação pública da Universidade, Katz foi obrigado a assinar uma retratação dizendo que o massacre não aconteceu, e o juiz encerrou o caso. Dias depois, Katz tentou retirar a retratação, dizendo que a havia assinado “em um momento de fraqueza e que já se arrependia profundamente”, mas o juiz manteve o caso encerrado e a universidade cassou seu diploma..
Todos os veteranos sobreviventes do documentário negam mais ou menos que um massacre tenha ocorrido e, como a maioria deles está na casa dos 90 anos, é possível que alguns já tenham realmente esquecido. “A cada um a sua realidade, a cada um as suas interpretações”, é como um soldado coloca astutamente, e este é um filme sobre como os fatos, a subjetividade e a memória tendem a se confundir, especialmente quando você está lidando com um conflito tão controverso. incidente histórico.
Uma dessas aldeias era Tantura, e o que aconteceu depois da luta é o cerne da narrativa. Vários ex-soldados de Alexandroni são entrevistados (incluindo aqueles que estavam lá em Tantura), assim como os últimos moradores vivos da aldeia. Um interlocutor central é o historiador Teddy Katz, que escreveu uma tese em 1998 enquanto lecionava na Universidade de Haifa, na qual argumentava que a Brigada Alexandroni assassinou centenas de aldeões palestinos depois que eles se renderam. Katz foi imediatamente processado por difamação pelos veteranos de Alexandroni e finalmente retirou seu trabalho. Pouco depois, ele tentou retirar sua concessão, mas a juíza Drora Pilpel indeferiu a moção. https://www.intrometendo.com.br/2022/12/tantura-2022-critica.html
Sobre A Violência . O documentário esmiúça os mecanismos de decolonização
através de imagens entrelaçadas com trechos do livro seminal de Frantz Fanon: Os Condenados da Terra.
Göran Olsson conduz-nos por nove cenas de autodefesa anti-imperialista,
que ganham força narrativa pela voz da cantora, compositora e ativista Lauryn Hill. Gênero: documentário
Diretor: Göran Hugo Olsson
Duração: 85 minutos
Ano de Lançamento: 2014
País de Origem: Suécia https://www.youtube.com/watch?v=2yeiGFZBbeA
através de imagens entrelaçadas com trechos do livro seminal de Frantz Fanon: Os Condenados da Terra.
Göran Olsson conduz-nos por nove cenas de autodefesa anti-imperialista,
que ganham força narrativa pela voz da cantora, compositora e ativista Lauryn Hill. Gênero: documentário
Diretor: Göran Hugo Olsson
Duração: 85 minutos
Ano de Lançamento: 2014
País de Origem: Suécia https://www.youtube.com/watch?v=2yeiGFZBbeA
CINE ATEU APRESENTA : SALA DOS PROFESSORES . O recorte para a sociedade alemã pode trazer certa estranheza a um espectador brasileiro ou de qualquer outro país com um sistema de ensino diferente. A problemática, no entanto, é universal, e não há aqui problemas de entendimento de motivações ou de impacto que os furtos cometidos na escola podem causar às pessoas envolvidas direta ou indiretamente. Na construção dos fatos, o roteiro deixa um pouco a verossimilhança de lado quando molda a persona de Nowak, que não se dispõe a dar um passo definitivo na investigação, mesmo quando se torna vítima de coisas bem ruins. Esta é, contudo, uma linha dramática que se mistura bem ao conflito e acaba encontrando suas justificativas atenuantes. Como extensão da ótima direção de elenco (especialmente o infantil, com destaque para a figura de Oskar, interpretado por Leonard Stettnisch), temos uma dúvida genuína plantada desde o primeiro ato, e é em cima dela que o drama de fato se desenvolve… mas não é verdadeiramente concluído. https://www.planocritico.com/critica-a-sala-dos-professores-2023/
Plano Crítico
Crítica | A Sala dos Professores (2023)
A Sala dos Professores é um filme de observação de comportamentos e atitudes em meio a uma crise de confiança e reprovável administração de problemas por parte da direção escolar.
CINE ATEU APRESENTA - ELIS & TOM Crítica: ‘Elis & Tom' é um retrato especial e bem conduzido da histórica parceria musical
André Miranda
Sob direção de Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, o filme foca na gravação de um único disco que conseguiu o feito de ser marcante para carreiras que já eram extraordinárias; Bonequinho aplaude
Já faz um bom tempo que documentários musicais se transformaram num subgênero de cinema, com lançamentos regulares que contam histórias de artistas de todas épocas, idades e estilos. A diferença que torna “Elis & Tom, só tinha de ser com você” uma obra mais peculiar e especial é que o filme dirigido por Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay é focado na gravação de um único disco — e faz isso muitíssimo bem, com um roteiro que transforma aquele momento numa espécie de clímax para a trajetória de seus personagens.
A produção é caprichada, com ótimas imagens da época e entrevistas com praticamente todo mundo que se envolveu na gravação em 1974 de “Elis & Tom”, a primeira parceria da dupla, ou que circundaram Elis Regina e Tom Jobim no período, inclusive o produtor André Midani (morto em 2019) e o saxofonista americano Wayne Shorter (morto em março de 2023).
O engenheiro de som chileno Humberto Gatica, dono de quase duas dúzias de Grammys, recorda que foi seu primeiro voo solo num álbum e que foi “abençoado por fazer parte daquela gravação histórica”. O pianista Cesar Camargo Mariano, arranjador do disco e então marido de Elis, lembra como Tom se incomodou pelo fato de que ele próprio, o todo-poderoso maestro Antonio Carlos Jobim, ter um jovem menos experiente cuidando dos arranjos do disco. Já o jornalista Nelson Motta, o ator mais requisitado de documentários do Brasil e que assina o roteiro do filme com Roberto Oliveira, ajuda a situar as diferenças entre o furacão que era Elis em contrapartida com o estilo “banquinho e violão” de Tom.
São relatos que, bem conduzidos pelo documentário, explicam como aquele disco conseguiu o feito de ser marcante para carreiras que já eram extraordinárias. https://oglobo.globo.com/rioshow/cinema/noticia/2023/09/21/critica-elis-and-tom-e-um-retrato-especial-e-bem-conduzido-da-historica-parceria-musical.ghtml
André Miranda
Sob direção de Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, o filme foca na gravação de um único disco que conseguiu o feito de ser marcante para carreiras que já eram extraordinárias; Bonequinho aplaude
Já faz um bom tempo que documentários musicais se transformaram num subgênero de cinema, com lançamentos regulares que contam histórias de artistas de todas épocas, idades e estilos. A diferença que torna “Elis & Tom, só tinha de ser com você” uma obra mais peculiar e especial é que o filme dirigido por Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay é focado na gravação de um único disco — e faz isso muitíssimo bem, com um roteiro que transforma aquele momento numa espécie de clímax para a trajetória de seus personagens.
A produção é caprichada, com ótimas imagens da época e entrevistas com praticamente todo mundo que se envolveu na gravação em 1974 de “Elis & Tom”, a primeira parceria da dupla, ou que circundaram Elis Regina e Tom Jobim no período, inclusive o produtor André Midani (morto em 2019) e o saxofonista americano Wayne Shorter (morto em março de 2023).
O engenheiro de som chileno Humberto Gatica, dono de quase duas dúzias de Grammys, recorda que foi seu primeiro voo solo num álbum e que foi “abençoado por fazer parte daquela gravação histórica”. O pianista Cesar Camargo Mariano, arranjador do disco e então marido de Elis, lembra como Tom se incomodou pelo fato de que ele próprio, o todo-poderoso maestro Antonio Carlos Jobim, ter um jovem menos experiente cuidando dos arranjos do disco. Já o jornalista Nelson Motta, o ator mais requisitado de documentários do Brasil e que assina o roteiro do filme com Roberto Oliveira, ajuda a situar as diferenças entre o furacão que era Elis em contrapartida com o estilo “banquinho e violão” de Tom.
São relatos que, bem conduzidos pelo documentário, explicam como aquele disco conseguiu o feito de ser marcante para carreiras que já eram extraordinárias. https://oglobo.globo.com/rioshow/cinema/noticia/2023/09/21/critica-elis-and-tom-e-um-retrato-especial-e-bem-conduzido-da-historica-parceria-musical.ghtml
CINE ATEU APRESENTA: A ZONA DE INTERESSE. Zona de Interesse, longa-metragem britânico dirigido pelo cineasta Jonathan Glazer, é um drama histórico que se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Adaptado do romance homônimo escrito pelo autor Martin Amis, no ano de 2014, em Zona de Interesse, Rudolf Höss (Christian Friedel), o comandante de Auschwitz, e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller), desfrutam de uma vida aparentemente comum e bucólica, em uma casa com jardim. Mas, por trás da fachada de tranquilidade, a família feliz vive, na verdade, ao lado do campo de concentração de Auschwitz. O dia-a dia destes personagens se desenrola entre os gritos abafados de desespero, de um genocídio em curso, do qual, eles também são diretamente responsáveis. O longa ficcional, premiado em Cannes e indicado ao Oscar em cinco categorias, entre elas a de Melhor Filme, mistura drama, guerra e história, abordando o horror do nazismo, a partir de uma perspectiva singular e perturbador. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-266159/
CINE ATEU APRESENTA: TERRA ESTRANGEIRA Terra Estrangeira é, em sua estrutura narrativa, dois filmes em um. Isso tanto pelo choque de gêneros distintos quanto pelos variados enredos paralelos que se cruzam. Ainda no começo da obra, conhecemos uma história bastante parecida com a de Manuela e Paco, que é a do casal Alex e Miguel. Estes, residentes em Portugal, possuem um relacionamento desconcertante, o que leva Alex ao intenso desejo de retornar ao Brasil, ideia que sofre uma agressiva oposição de seu companheiro. E, para completar o quadro de semelhanças, há ainda a repentina morte de Miguel — que também age como engrenagem narrativa para Paco chegar a Alex. Dentre essas duas tramas paralelas, há o traficante Igor como gancho para unir as duas histórias, fazendo de seu ofício um grande motor do roteiro na criação de conflitos. https://www.planocritico.com/critica-terra-estrangeira-1996/
Plano Crítico
Crítica | Terra Estrangeira (1996)
Em Terra Estrangeira (que tem a direção compartilhada com Daniela Thomas), o enredo se move por relações e anseios intercontinentais, onde o contato com aquilo que é estrangeiro — e o ser estrangeiro em si — torna-se o cerne de todo o filme; já em Central…
CINE ATEU APRESENTA: PROPRIEDADE.
Propriedade é mais um potente filme pernambucano a dramatizar as heranças escravagistas e colonialistas brasileiras, levando a luta de classes a uma literalidade hiperbólica. https://carmattos.com/2023/12/22/a-barreira-de-vidro/
Propriedade é mais um potente filme pernambucano a dramatizar as heranças escravagistas e colonialistas brasileiras, levando a luta de classes a uma literalidade hiperbólica. https://carmattos.com/2023/12/22/a-barreira-de-vidro/
CINE ATEU APRESENTA: GOLPE DE SORTE Desta feita, Woody Allen está lá e bem atento aos pormenores da rodagem, mas ao lado da equipa e por detrás da objetiva controlada pelo veterano Diretor de Fotografia Vittorio Storaro. Para muitos, “Golpe de Sorte” surge como o melhor filme de Woody Allen desde “Match Point” (2005). Não estou de acordo com esta opinião. De facto, gosto da cínica ironia de “Whatever Works” (“Tudo Pode Dar Certo”), de 2009, e muito da crítica das relações de classe de “Blue Jasmine“, de 2013. https://www.magazine-hd.com/apps/wp/golpe-de-sorte-critica-analise-review-critica-woody-allen/
MHD
Golpe de Sorte, a Crítica | Woody Allen guia Lou de Laâge até ao grande ecrã
Woody Allen regressa aos ecrãs nacionais com este "Golpe de Sorte", com Lou de Laâge e Niels Schneider no elenco principal.
CINE ATEU APRESENTA : ISRAELISMO Israel, os protagonistas nos levam à batalha pela própria alma da identidade judaica moderna.
O filme está em turnê pelos campi dos EUA, onde seu lançamento durante o ataque genocida em andamento em Gaza levou a vários pedidos de censura e cancelamentos de exibições programadas pelas autoridades do campus. Em meio a um debate público altamente censurado em torno da ocupação israelense, os esforços para censurar o filme são um reflexo dos tempos — até mesmo as vozes judaicas pela paz sendo alvo da máquina que por tanto tempo buscou silenciar os apelos palestinos por libertação.
O israelismo conta uma história que todos nós precisamos ouvir, principalmente porque hoje os Estados Unidos são a única força que pode controlar o extremismo israelense. Ele oferece uma pequena janela para como poderosos grupos de interesses especiais nos EUA preparam jovens judeus para apoiar cegamente Israel, e como alguns, como seus protagonistas, conseguem escapar disso.
Mas para um não judeu como eu, o elemento mais convincente do filme foi sua representação sincera do vínculo emocional que a maioria dos judeus foi forçada a desenvolver com Israel, e as dificuldades que eles enfrentam quando tentam sair da narrativa poderosa e unificadora que sustenta esse vínculo.
Enquanto seus muitos críticos, incluindo eu, veem Israel como um estado étnico-nacionalista, racialmente supremacista e desonesto, em desacordo com a lei internacional e operando um sistema de apartheid, os judeus são ensinados desde cedo que o moderno estado de Israel é a personificação da autorrealização e liberdade judaica.
Essa não é uma narrativa pequena para desmantelar porque, em parte, é verdade. Depois de anos de perseguição e exílio, os judeus finalmente têm um lar. Só que não é o lar deles. É o dos palestinos. O deslocamento de palestinos de suas terras para atualizar o mito sionista de uma "terra sem pessoas para um povo com uma terra" não é menos questionável do que a perseguição e o exílio impostos aos judeus historicamente.
Enquanto os personagens principais do Israelismo percebem que seu sonho de Israel foi construído sobre uma mentira, o que estava faltando no filme era uma história alternativa.
O acadêmico Barnett R Rubin descreve poeticamente a narrativa judaica sobre o Israel moderno em seu artigo intitulado “Falsos Messias”: “Repetida em todas as eras, essa grande narrativa – escravidão para a liberdade, exílio para a redenção – foi a música de fundo constante, embora às vezes quase inaudível, da compreensão do povo judeu sobre seu encontro com a história.” Rubin pinta um quadro pungente da história judaica, repleta dos horrores da perseguição antissemita europeia ao longo dos séculos, exílio e um profundo anseio e esperança por um lugar de segurança e proteção. O sionismo político não surge do vácuo, ele explica, mas da incapacidade dos estados europeus de garantir a segurança e proteção do povo judeu. Com os pogroms e, eventualmente, a culminação da violência racializada europeia na forma do Holocausto em meados do século XX, a intersecção tóxica do colonialismo e do sionismo prepara o cenário para nossa crise atual.
“Os judeus israelenses são colonos colonos com uma memória histórica de origem indígena”, escreve Rubbin. “Eles desenvolveram uma ideologia e um movimento político, em vez de puramente religioso, de ‘retorno’. Mas sua memória histórica não foi compartilhada pelos habitantes da terra. A memória histórica do povo judeu não criou o direito ou a capacidade de confiscar ou ocupar um único dunam de terra contra a vontade de seus possuidores. A memória histórica de um povo, por mais tenaz que seja, não cria o direito de governar outro.”
Essa narrativa de desapropriação, perseguição e triunfo é o que está reforçando o apoio ao atual estado de Israel. Enquanto um movimento crescente de críticos está desmantelando isso, a próxima geração de moradores assombrados dessa terra contestada precisa desesperadamente de uma nova história de esperança para substituí-la.
O filme está em turnê pelos campi dos EUA, onde seu lançamento durante o ataque genocida em andamento em Gaza levou a vários pedidos de censura e cancelamentos de exibições programadas pelas autoridades do campus. Em meio a um debate público altamente censurado em torno da ocupação israelense, os esforços para censurar o filme são um reflexo dos tempos — até mesmo as vozes judaicas pela paz sendo alvo da máquina que por tanto tempo buscou silenciar os apelos palestinos por libertação.
O israelismo conta uma história que todos nós precisamos ouvir, principalmente porque hoje os Estados Unidos são a única força que pode controlar o extremismo israelense. Ele oferece uma pequena janela para como poderosos grupos de interesses especiais nos EUA preparam jovens judeus para apoiar cegamente Israel, e como alguns, como seus protagonistas, conseguem escapar disso.
Mas para um não judeu como eu, o elemento mais convincente do filme foi sua representação sincera do vínculo emocional que a maioria dos judeus foi forçada a desenvolver com Israel, e as dificuldades que eles enfrentam quando tentam sair da narrativa poderosa e unificadora que sustenta esse vínculo.
Enquanto seus muitos críticos, incluindo eu, veem Israel como um estado étnico-nacionalista, racialmente supremacista e desonesto, em desacordo com a lei internacional e operando um sistema de apartheid, os judeus são ensinados desde cedo que o moderno estado de Israel é a personificação da autorrealização e liberdade judaica.
Essa não é uma narrativa pequena para desmantelar porque, em parte, é verdade. Depois de anos de perseguição e exílio, os judeus finalmente têm um lar. Só que não é o lar deles. É o dos palestinos. O deslocamento de palestinos de suas terras para atualizar o mito sionista de uma "terra sem pessoas para um povo com uma terra" não é menos questionável do que a perseguição e o exílio impostos aos judeus historicamente.
Enquanto os personagens principais do Israelismo percebem que seu sonho de Israel foi construído sobre uma mentira, o que estava faltando no filme era uma história alternativa.
O acadêmico Barnett R Rubin descreve poeticamente a narrativa judaica sobre o Israel moderno em seu artigo intitulado “Falsos Messias”: “Repetida em todas as eras, essa grande narrativa – escravidão para a liberdade, exílio para a redenção – foi a música de fundo constante, embora às vezes quase inaudível, da compreensão do povo judeu sobre seu encontro com a história.” Rubin pinta um quadro pungente da história judaica, repleta dos horrores da perseguição antissemita europeia ao longo dos séculos, exílio e um profundo anseio e esperança por um lugar de segurança e proteção. O sionismo político não surge do vácuo, ele explica, mas da incapacidade dos estados europeus de garantir a segurança e proteção do povo judeu. Com os pogroms e, eventualmente, a culminação da violência racializada europeia na forma do Holocausto em meados do século XX, a intersecção tóxica do colonialismo e do sionismo prepara o cenário para nossa crise atual.
“Os judeus israelenses são colonos colonos com uma memória histórica de origem indígena”, escreve Rubbin. “Eles desenvolveram uma ideologia e um movimento político, em vez de puramente religioso, de ‘retorno’. Mas sua memória histórica não foi compartilhada pelos habitantes da terra. A memória histórica do povo judeu não criou o direito ou a capacidade de confiscar ou ocupar um único dunam de terra contra a vontade de seus possuidores. A memória histórica de um povo, por mais tenaz que seja, não cria o direito de governar outro.”
Essa narrativa de desapropriação, perseguição e triunfo é o que está reforçando o apoio ao atual estado de Israel. Enquanto um movimento crescente de críticos está desmantelando isso, a próxima geração de moradores assombrados dessa terra contestada precisa desesperadamente de uma nova história de esperança para substituí-la.
Hoje, como escreve o fundador israelense e diretor executivo da Idealist.org, Ami Dar, “Se todos, em todos os lugares, realmente aceitassem que sete milhões de judeus e sete milhões de palestinos não vão a lugar nenhum, e que qualquer futuro possível tem que incluir e abranger ambos, toda a energia em torno desse conflito mudaria.”
Para que essa mudança aconteça, precisamos de novas histórias. Histórias que reconheçam e honrem as reivindicações à terra que, embora apresentadas como concorrentes, não o são inerentemente. Afinal, as filosofias indígenas podem nos levar a considerar que a terra não pertence a ninguém e que, de fato, os administradores abraâmicos da terra têm uma missão comum de preservar e proteger sua natureza sagrada e honrar todos os seus habitantes.
Rubbin parece sugerir que um sionismo “descolonizado”, divorciado da supremacia corruptora do colonialismo e, portanto, mais um anseio cultural por um lugar do que uma reivindicação política ou territorial a ele, deve ser distinguido da ideologia violenta dos colonos atualmente desencadeada: “A Palestina que eles [os judeus] ansiavam era a personificação de suas esperanças, em vez de algumas províncias do império otomano com populações árabes muçulmanas e cristãs.” E então pode ser de dentro dessas esperanças, casadas com o anseio dos palestinos por um retorno à sua terra, por autonomia sobre suas vidas e por paz, que a próxima história pode ser tecida. E embora sejam indiscutivelmente esses mesmos sonhos elementares que tornam a atual luta pelo poder tão apocalíptica, eles também tornam uma história que os honra profundamente convincente.
Embora o foco do israelismo esteja na necessidade dos judeus de desmantelar o Frankenstein que é a ocupação violenta de Israel, o que está faltando é uma narrativa de esperança.
Um número crescente de judeus está se juntando às fileiras do antisionismo e os protestos em massa do Jewish Voices for Peace e dos anciãos judeus têm se mostrado poderosos contra-argumentos ao consenso presumido em torno do apoio ao atual estado israelense. Mas as contranarrativas exigem mais do que simples oposição para durar.
A história que está sendo vendida para jovens judeus ao redor do mundo é profunda, comovente e totalmente convincente. E isso significa que qualquer luta para libertar os judeus dessa caracterização errônea do estado de Israel como uma personificação redentora da autoatualização judaica necessariamente exigirá uma contranarrativa igualmente, se não mais convincente. Uma que honre os medos judaicos legítimos de que a história se repita, forneça a comunidade e a comunhão de um sonho compartilhado, de dimensão cósmica, mas também prometa libertar os palestinos.
Como Rubin também aponta: "O que é questionável sobre o colonialismo não é a imigração ou o assentamento de uma população de origem étnica ou nacional diferente, ou de pessoas que são em algum sentido não indígenas, mas a dominação de um grupo sobre outro. É impossível rebobinar e reexecutar a história. Mas é possível, de fato necessário, assegurar um futuro onde palestinos e israelenses tenham direitos iguais.” À medida que os israelenses se tornam cada vez mais desiludidos com Netanyahu, as vozes judaicas dentro e fora de Israel precisam confrontar o impacto da ideologia militarista em sua cultura, política e identidade. A pesquisa do Instituto de Democracia de Israel, um indicador mensal do sentimento israelense sobre eventos atuais, encontrou níveis decrescentes de otimismo quanto à segurança futura e ao caráter democrático do país. Se os vídeos niilistas do TikTok zombando de crianças palestinas mutiladas não foram um chamado para despertar, os grupos de telegramas nos quais milhares se deleitam com filmes de rapé de civis palestinos sendo torturados e mortos deveriam ser. Qualquer denigração da humanidade de outro necessariamente diminui a nossa. Esse ciclo de violência desumanizante não deve mais ser envernizado por contos de propaganda.
Para que essa mudança aconteça, precisamos de novas histórias. Histórias que reconheçam e honrem as reivindicações à terra que, embora apresentadas como concorrentes, não o são inerentemente. Afinal, as filosofias indígenas podem nos levar a considerar que a terra não pertence a ninguém e que, de fato, os administradores abraâmicos da terra têm uma missão comum de preservar e proteger sua natureza sagrada e honrar todos os seus habitantes.
Rubbin parece sugerir que um sionismo “descolonizado”, divorciado da supremacia corruptora do colonialismo e, portanto, mais um anseio cultural por um lugar do que uma reivindicação política ou territorial a ele, deve ser distinguido da ideologia violenta dos colonos atualmente desencadeada: “A Palestina que eles [os judeus] ansiavam era a personificação de suas esperanças, em vez de algumas províncias do império otomano com populações árabes muçulmanas e cristãs.” E então pode ser de dentro dessas esperanças, casadas com o anseio dos palestinos por um retorno à sua terra, por autonomia sobre suas vidas e por paz, que a próxima história pode ser tecida. E embora sejam indiscutivelmente esses mesmos sonhos elementares que tornam a atual luta pelo poder tão apocalíptica, eles também tornam uma história que os honra profundamente convincente.
Embora o foco do israelismo esteja na necessidade dos judeus de desmantelar o Frankenstein que é a ocupação violenta de Israel, o que está faltando é uma narrativa de esperança.
Um número crescente de judeus está se juntando às fileiras do antisionismo e os protestos em massa do Jewish Voices for Peace e dos anciãos judeus têm se mostrado poderosos contra-argumentos ao consenso presumido em torno do apoio ao atual estado israelense. Mas as contranarrativas exigem mais do que simples oposição para durar.
A história que está sendo vendida para jovens judeus ao redor do mundo é profunda, comovente e totalmente convincente. E isso significa que qualquer luta para libertar os judeus dessa caracterização errônea do estado de Israel como uma personificação redentora da autoatualização judaica necessariamente exigirá uma contranarrativa igualmente, se não mais convincente. Uma que honre os medos judaicos legítimos de que a história se repita, forneça a comunidade e a comunhão de um sonho compartilhado, de dimensão cósmica, mas também prometa libertar os palestinos.
Como Rubin também aponta: "O que é questionável sobre o colonialismo não é a imigração ou o assentamento de uma população de origem étnica ou nacional diferente, ou de pessoas que são em algum sentido não indígenas, mas a dominação de um grupo sobre outro. É impossível rebobinar e reexecutar a história. Mas é possível, de fato necessário, assegurar um futuro onde palestinos e israelenses tenham direitos iguais.” À medida que os israelenses se tornam cada vez mais desiludidos com Netanyahu, as vozes judaicas dentro e fora de Israel precisam confrontar o impacto da ideologia militarista em sua cultura, política e identidade. A pesquisa do Instituto de Democracia de Israel, um indicador mensal do sentimento israelense sobre eventos atuais, encontrou níveis decrescentes de otimismo quanto à segurança futura e ao caráter democrático do país. Se os vídeos niilistas do TikTok zombando de crianças palestinas mutiladas não foram um chamado para despertar, os grupos de telegramas nos quais milhares se deleitam com filmes de rapé de civis palestinos sendo torturados e mortos deveriam ser. Qualquer denigração da humanidade de outro necessariamente diminui a nossa. Esse ciclo de violência desumanizante não deve mais ser envernizado por contos de propaganda.
Ao honrar legados de sofrimento e exílio, a oposição ao estado de apartheid também deve abrir caminho para a promessa de um novo sonho. O movimento pela liberdade de Nelson Mandela não foi liderado apenas pela oposição à supremacia branca - foi guiado por um sonho de coexistência, igualdade e justiça para todos. Ao contrário das narrativas de contrariedade palestina, a liderança palestina tem consistentemente e generosamente aberto espaço para a presença judaica em sua terra. Agora cabe à nova geração de judeus reimaginar sua história de uma forma que honre todos os filhos de Deus igualmente – e nessa nova história está a verdadeira terra prometida.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera. https://www.aljazeera.com/opinions/2024/1/29/israelism-the-promised-land-needs-a-new-narrative
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera. https://www.aljazeera.com/opinions/2024/1/29/israelism-the-promised-land-needs-a-new-narrative
Al Jazeera
‘Israelism’: The promised land needs a new narrative
The Jewish dream of Israel was built on a lie, but there is an alternative.
CINE ATEU APRESENTA: REINO ANIMAL Em THE ANIMAL KINGDOM, um novo thriller visionário que leva os espectadores a um mundo extraordinário onde mutações na genética humana fazem com que as pessoas se transformem em criaturas híbridas, François (Romano Duris) faz tudo o que pode para salvar sua esposa, que é afetada por essa condição misteriosa. Como algumas das criaturas desaparecem em uma floresta próxima, François embarca com Emile (Paul Kircher), seu filho de 16 anos, em uma missão para encontrá-la com a ajuda de um policial local (Adèle Exarchopoulos). https://cinemadailyus.com/interviews/the-animal-kingdom-interview-with-writer-director-thomas-cailley/
Cinema Daily US
The Animal Kingdom : Exclusive Interview with Co-Writer/Director Thomas Cailley
The Animal Kingdom : An adventure between a father and his son, in a world where some humans have started mutating into other animal species.
CINE ATEU APRESENTA : Soundtrack to a Coup d'Etat. Jazz e descolonização se entrelaçam nessa documentário que conta o episódio da Guerra Fria que levou os músicos Abbey Lincoln, Max Roach e dezenas de manifestantes a invadir o Conselho de Segurança da ONU em protesto contra o assassinato do primeiro-ministro do Congo Patrice Lumumba. https://www.magazine-hd.com/apps/wp/soundtrack-coup-detat-critica-analise-review-indielisboa-jazz-johan-grimonprez/
MHD
Soundtrack to a Coup D’etat, a Crítica | O jazz e a descolonização deixam a sua marca no IndieLisboa
Johan Grimonprez dá foco ao jazz e a descolonização no IndieLisboa com o documentário "Soundtrack to a Coup D'etat".
CINE APRESENTA: MÁ FÉ: A Guerra Profana do Nacionalismo Cristão Contra a Democracia Bad Faith: Christian Nationalism's Unholy War on Democracy é um documentário provocativo e informativo, mas também polarizador. Ele cumpre bem seu papel de educar e alertar sobre os perigos do nacionalismo cristão, mas sua abordagem tendenciosa e a falta de equilíbrio narrativo podem alienar parte do público. Para alguns, é um chamado à ação; para outros, uma peça de propaganda. Independentemente das críticas, o filme certamente gerou um debate importante sobre o futuro da democracia americana.
CINE ATEU APRESENTA: OS ARQUIVOS DE BIBI. Durante anos e anos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recebeu “presentes” que, somados, chegam a um valor obsceno. Eram mimos oferecidos por homens e mulheres poderosos, muitas vezes bilionários, que chegavam na forma de bebidas, charutos, viagens particulares e, claro, apoio financeiro para campanhas políticas. Em troca, Netanyahu, o indivíduo mais poderoso do país, estava sempre a um telefonema de distância, demonstrando prazer em auxiliar os parceiros como possível - fosse ao fazer uma ligação para o secretário de Estado dos Estados Unidos a fim de reverter o cancelamento do visto de um amigo, fosse ao assinar um documento que, na prática, garantiria que outro conseguissem um empréstimo de 200 milhões de dólares. Já em outros momentos, ele chegou a aprovar leis que beneficiavam especificamente uma pessoa (o bilionário Arnon Milchan), sem se preocupar quais os efeitos colaterais que isto traria para a economia do país.
Depois de tantos abusos, Netanyahu e sua esposa Sara foram finalmente investigados - e, para seu imenso crédito, as autoridades israelenses não hesitaram em intimar algumas das pessoas mais influentes de Israel, que tiveram que ir até uma salinha minúscula como qualquer outro cidadão e prestar depoimentos durante horas. O que talvez elas não esperassem é que os registros em vídeo destes interrogatórios se tornariam públicos e acabariam, por exemplo, em um documentário devastador como The Bibi Files, semifinalista da categoria no Oscar 2025.
Expondo os depoimentos de figuras como o próprio Milchan e de outros titãs de várias indústrias, o filme traz estes indivíduos admitindo casualmente como durante anos foram basicamente forçados a presentear o casal Netanyahu, que não era muito sutil ao requisitar tais agrados. Além disso, o filme traz entrevistas exclusivas com pessoas que durante um longo tempo fizeram parte do círculo mais íntimo dos Netanyahu, como um amigo de infância (e apoiador) de Benjamin, o coordenador de várias campanhas do primeiro-ministro (e um de seus principais conselheiros) e funcionários que gerenciavam o lar e a segurança do casal.
E mais: contendo também os interrogatórios de Benjamin e Sara, que respondem com arrogância e agressividade enquanto insistem que aquilo representa um “risco à segurança de Israel”, o documentário aponta como Netanyahu, conhecido por ter uma memória quase fotográfica, surpreendentemente parece vítima de amnésia ao conversar com os interrogadores, repetindo variações de “não me lembro” durante a maior parte de seus depoimentos.
Infelizmente, o que poderia ser apenas mais um caso de corrupção (embora de dimensões gigantescas) se torna uma tragédia humanitária graças ao pavor que Netanyahu sente diante da possibilidade de ir parar atrás das grades - e que o leva a adotar uma das táticas mais tradicionais de líderes encurralados: promover uma guerra a fim de ganhar o apoio da população.
Abandonado por vários elementos de seu próprio partido e também pela coalisão de centro-direita que durante a maior parte de seus governos foi fundamental para mantê-lo no poder, Netanyahu não hesitou em buscar apoio nas figuras de extrema-direita de Israel - aquelas que, como alguém aponta no filme, ele recusaria encontrar apenas alguns anos antes. Indivíduos que pregam abertamente o extermínio do povo palestino, a invasão completa e definitiva da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e que, como não poderia deixar de ser, acusam qualquer oponente de apoiadores do “comunismo” e do “terrorismo”. E que foram nomeados ministros pelo corrupto líder do país.
Depois de tantos abusos, Netanyahu e sua esposa Sara foram finalmente investigados - e, para seu imenso crédito, as autoridades israelenses não hesitaram em intimar algumas das pessoas mais influentes de Israel, que tiveram que ir até uma salinha minúscula como qualquer outro cidadão e prestar depoimentos durante horas. O que talvez elas não esperassem é que os registros em vídeo destes interrogatórios se tornariam públicos e acabariam, por exemplo, em um documentário devastador como The Bibi Files, semifinalista da categoria no Oscar 2025.
Expondo os depoimentos de figuras como o próprio Milchan e de outros titãs de várias indústrias, o filme traz estes indivíduos admitindo casualmente como durante anos foram basicamente forçados a presentear o casal Netanyahu, que não era muito sutil ao requisitar tais agrados. Além disso, o filme traz entrevistas exclusivas com pessoas que durante um longo tempo fizeram parte do círculo mais íntimo dos Netanyahu, como um amigo de infância (e apoiador) de Benjamin, o coordenador de várias campanhas do primeiro-ministro (e um de seus principais conselheiros) e funcionários que gerenciavam o lar e a segurança do casal.
E mais: contendo também os interrogatórios de Benjamin e Sara, que respondem com arrogância e agressividade enquanto insistem que aquilo representa um “risco à segurança de Israel”, o documentário aponta como Netanyahu, conhecido por ter uma memória quase fotográfica, surpreendentemente parece vítima de amnésia ao conversar com os interrogadores, repetindo variações de “não me lembro” durante a maior parte de seus depoimentos.
Infelizmente, o que poderia ser apenas mais um caso de corrupção (embora de dimensões gigantescas) se torna uma tragédia humanitária graças ao pavor que Netanyahu sente diante da possibilidade de ir parar atrás das grades - e que o leva a adotar uma das táticas mais tradicionais de líderes encurralados: promover uma guerra a fim de ganhar o apoio da população.
Abandonado por vários elementos de seu próprio partido e também pela coalisão de centro-direita que durante a maior parte de seus governos foi fundamental para mantê-lo no poder, Netanyahu não hesitou em buscar apoio nas figuras de extrema-direita de Israel - aquelas que, como alguém aponta no filme, ele recusaria encontrar apenas alguns anos antes. Indivíduos que pregam abertamente o extermínio do povo palestino, a invasão completa e definitiva da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e que, como não poderia deixar de ser, acusam qualquer oponente de apoiadores do “comunismo” e do “terrorismo”. E que foram nomeados ministros pelo corrupto líder do país.